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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um Rei que Contagia


Caros leitores,

Permitam-me uma confissão:

Sempre admirei muito o espanhol. É  impossível não se surpreender com seus feitos e respeitá-lo como um dos maiores tenistas da história. Não o tinha como ídolo. Minha maior inspiração no tênis sempre foi e sempre será Roger Federer, o maior rival do Rei do Saibro. Conforme meu envolvimento profissional com o tênis foi aumentando, deixei um pouco de lado a torcida. Hoje, penso que vença o melhor.

Há algum tempo, notei uma certa mudança em meu pensamento em relação a Rafa Nadal. Minha admiração pelo dono de sete Roland Garros se intensificou. O respeito mais ainda. Até que , certo dia, me peguei gritando um "Vamos" em espanhol. Não era o tradicional "Come On".

O Touro contagia. Sua garra, vontade e dedicação. Hoje, quando a final foi reiniciada, Nadal ganhou um ponto,fechou o punho e mostrou os dentes na vibração. Ali, deixou claro toda sua gana. Que teriam que matá-lo para roubarem mais este troféu. Quando atua no saibro, Rafa beira a perfeição. 254 vitórias, 19 derrotas e 36 títulos no saibro (Obrigado pelas estatísicas,Loio!).

Mas não, leitor, eu não mudei minha torcida, eu não mudei de ídolo.

Eu ganhei mais um ídolo!


Acompanhe também as notícias do mundo do tênis e mais textos meus no CurtaTênis !

Foto: Reprodução/ Internet

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dois jogos, Quatro atletas, Dois gênios

Tem dias que me pego pensando como posso amar tanto determinado esporte. Ou até mesmo quando me pego sofrendo em uma partida na qual eu não estou torcendo para nenhum jogador.No entanto, há dias que em tudo faz sentido. 


Hoje, foi um daqueles dias em que tudo volta a ter sentido. Em que dou graças a Deus por respirar esporte no meu dia a dia e, em especial, o tênis. Duas partidas espetaculares. Quatro jogadores em um nível de tênis absurdo, e dois gênios.


Eu sofri. Eu me segurei para não gritar. Me peguei roendo as unhas. E agradeci por presenciar este momento mágico que somente os Grand Slams nos proporciona.


Roger Federer sofreu, xingou,lutou e venceu. Parecia um atleta que ainda busca a consagração tamanha entrega a uma partida. Dois sets abaixo contra um adversário de altíssimo nível, o argetino Juan Martin Del Potro. Federer parecia sem saída. No entanto, os gênios sempre conseguem encontrar uma solução. Na batalha de hoje, o suíço demonstrou que não é apenas diferenciado taticamente. Aos 30 anos, Federer apresentou um preparo físico de um jovem atleta. Afirmou após a vitória que quanto mais a partida se estendia, melhor para ele. E foi. Del Potro, de 23 anos, não aguentou manter o ritmo dos sets iniciais e cedeu. Ao deixar o Leão da Montanha encontrar o seu melhor nível, nada pode fazer. 


Já o que aconteceu na quadra central, Philippe Chatrier, é impossível de se transmitir em palavras. Jo Wilfried Tsonga apresentou seu melhor nível durante maior parte da partida. Teve cinco match points. Mas esbarrou no outro gênio, Novak Djokovic. O sérvio foi além dos limites. Nos pontos mais complicados, foi extremamente corajoso e agressivo. Virou uma partida que, para muitos, estava perdida. Porém, é o número 1 do mundo. É o homem a ser batido. E não serão 5 match points que vão derrotar Novak Djokovic. O sérvio voltou. E vai ser difícil pará-lo.


Alguns comentam que, como Federer e Djokovic sofreram nas partidas anteriores, não conseguirão fazer frentes à Nadal. Eu não concordo. Uma vitória como a dos dois tenistas de hoje só eleva a confiança de ambos. É comum encontrar declarações de atletas dizendo o tão bom que é ganhar jogando mal. Apesar de que Federer e Djokovic não jogaram mal. Enfrentaram tenistas de respeito e, quando mais foi preciso, elevaram seu nível de tênis a um grau absurdo. E saíram com a classificação para a semifinal.


Só tenho que agradecer aos inventores deste esporte por me proporcionarem momentos como desta terça-feira mágica.

terça-feira, 29 de maio de 2012

No melhor estilo Thomaz Bellucci


Escrever textos sobre as derrotas inacreditáveis de Thomaz Bellucci tem virado rotina neste ano. E é complicado pois são sempre os mesmos motivos: preparo físico limitado, irregularidade, instabilidade mental etc. Ou seja, se você entrar em todos os portais, todos os textos são muito parecidos e "inspirados" nas derrotas anteriores do brasileiro.


Hoje, a derrota foi no melhor estilo Thomaz Bellucci. Um primeiro set espetacular, um segundo bem instável, no terceiro uma virada surpreendente e , no quarto e quinto, o famoso cansaço junto com a entrega do jogo. Alguns números refletem melhor ainda a atuação de hoje: Troicki ganhou, no total, 170 pontos. Thomaz Bellucci cometeu 76 (SETENTA E SEIS!) erros não forçados. Impressionante a quantidade pontos "de graça"que o brasileiro deu ao sérvio.


Como brasileiro, lamento a ausência de um tenista nos jogos Olimpícos de Londres. No entanto, é preciso afirmar que Bellucci não merece a vaga. O brasileiro começou o ano no 38º posto. Após a derrota na estreia do saibro parisiense, o brasileiro deve ficar, no mínimo, na 75ª posição. Só um milagre de várias desistências ou um convite para conseguir a vaga.


Uma vez, aqui no blog, escrevi o texto "Ainda Bem que Temos Thomaz Bellucci ", e continuo com o mesmo pensamento. E acho que o maior problema é não termos um tenista número dois que divida a responsabilidade e atenção com o canhoto de Tietê. É óbvio que Thomaz tem talento para estar no top 30. É visível. Por isso, suas duras derrotas causam tanta revolta em nós, amantes deste esporte.


Na entrevista à Revista Tênis, Bellucci afirmou não estar 100% fisicamente, que a lesão que teve no abdômen o deixou sem o ritmo de jogo necessário para uma disputa de Slam. É compreensível e aceitável a resposta do brasileiro, no entanto, como disse no início desta crônica, são sempre os mesmos motivos. E com esses problemas, é impossível se tornar um tenista de segundo ou , até mesmo, de terceiro escalão. Há anos, o talento já não é o suficiente para se formar um grande atleta.


Apesar de tudo isso, a torcida por ele e pelo tênis brasileiro continua.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Risco Olímpico



No começo do ano, não imaginávamos a hipótese do tênis brasileiro ficar sem um representante nos Jogos Olímpicos de Londres. A chave olímpica é formada por 64 jogadores, sendo que os 56 melhores entram direto na chave e os outros oito recebem um convite.

Com a queda na estreia do Master de Madrid e também no Master de Roma, em que perdeu para o russo Mikhail Youhzhny em três sets, o brasileiro Thomaz Bellucci ocupa a modesta 67 posição do ranking, porém, no ranking da corrida para Londres-2012, o paulista está no top 51, ou seja, classificaria direto. Isto ocorre pois há um limite de quatro representantes por país.

Por outro lado, o risco continua grande já que Bellucci defende 90 pontos em Roland Garros (terceira rodada) e, caso não os defenda, sairá da faixa do top 70, e , se isto ocorrer, a CBT já estuda a possibilidade de pedir um convite para o brasileiro. 

Hoje, torcemos para um bom sorteio na chave do saibro de Paris. É difícil, devido ao ranking atual do tenista canhoto. Só nos resta a torcer para que Bellucci consiga jogar o seu melhor, o que também tem sido difícil.

domingo, 22 de abril de 2012

O Rei do Saibro


O espanhol Rafael Nadal continua imbatível no saibro. O número dois do mundo, enfim, encerrou o jejum de títulos que não ganhava desde junho do ano passado e também a amarga sequência de sete derrotas seguidas para o sérvio Novak Djokovic, e conquistou o Octacampeonato do Master 1000 de Monte Carlo. 


Na decisão, Nadal não deu chances a um abatido Novak Djokovic e atropelou o sérvio com parciais de 6/3 e 6/1. O Rei do Saibro tem uma sequência impressionante em Mônaco. Perdeu apenas uma partida diante do argentino Guillermo Coria ainda em 2003 quando tinha apenas 16 anos. Voltou a jogar o torneio em 2005, e desde lá, perdeu apenas oito sets e nenhuma partida. Já são 42 vitórias seguidas no torneio. 


Este é o 47 título de Nadal no saibro e o 20 de nível Master, o que o torna o líder em títulos de torneios nível Master, com um a mais do que Roger Federer. 


Opinião 


Apesar das duas derrotas para Novak Djokovic no saibro ano passado, Nadal ainda é o homem a ser batido na terra batida. A lentidão de Monte Carlo favorece totalmente seu jogo e , além deste fator, teve o fato do desgaste psicológico de Novak Djokovic por conta da morte de seu avô no início da competição. Durante toda a semana, era visível este abatimento de Nole que afirmou , logo após a partida, que não tinha mais energia emocional. 


Voltando a falar do espanhol, Nadal revelou que as dores no joelho não sumiram, porém não deve ser muito problema para a temporada de saibro, visto que este tipo de piso não desgasta tanto os atletas. A temporada de saibro está apenas no começo. Para nossa alegria ! :D

domingo, 15 de abril de 2012

Chave complicada para Thomaz Bellucci


O brasileiro Thomaz Bellucci não vai ter vida fácil em Monte Carlo, primeiro Master 1000 disputado no saibro na temporada. Já na rodada inicial, o paulista encara o sempre perigoso sul-africano Kevin Anderson, número 33 do ranking. Os dois se enfrentaram apenas uma vez no Aberto dos Estados Unidos em 2010, com vitória para Anderson em 5 sets.

Caso Bellucci avance, a segunda rodada será ainda mais difícil contra o espanhol David Ferrer, número 6 do mundo e que já venceu o brasileiro nas três oportunidades em que se encontraram. Ainda no seu lado da chave, está o número 1 do mundo, Novak Djokovic, em uma possível quartas de final.

No ano passado, Bellucci caiu na primeira rodada para o francês Gilles Simon.

Os tops:

Rafael Nadal aguarda o vencedor entre o tcheco Radek Stepanek e o finlandês Jarkko Niemen. Adversário um pouco mais perigoso, só nas quartas de final em que pode encontrar o também espanhol Nícolas Almagro. Numa eventual semifinal, as maiores possibilidades seria contra o sérvio Janko Tipsarevic e o francês Jo-Wilfried Tsonga.

O número 1 do mundo, Novak Djokovic, espera o vencedor do duelo entre o italiano Andreas Seppi e o australiano Bernard Tomic. Pode encarar o espanhol David Ferrer nas quartas de final e os favoritos numa eventual semifinal seria o britânico Andy Murray ou o tcheco Tomas Berdych. O sérvio não defende pontos pois não jogou o torneio no ano passado

Andy Murray não deve ter muitos problemas para avançar às fases finais. Para sua estreia, ele espera o sérvio Viktor Troicki ou o convidado local Jean-Rene Lisnard. Duelo mais perigoso, apenas nas quartas de final em que pode encarar o tcheco Tomas Berdych.

Vale lembrar que Roger Federer não disputa esta edição do torneio de Monte Carlo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A vitória brasileira na Copa Davis




Estrutura

O próprio nome do clube já carrega a palavra tênis. Os sócios respiram o esporte. E a Copa Davis só confirmou que a belíssima estrutura do clube pode comportar muito bem um evento tão grande.

O Harmonia Tênis Clube teve todos os atributos necessários para realizar, com sucesso, a Copa Davis. As quadras são impecáveis e a estrutura montada para a Quadra Principal ficou perfeita. O ambiente do local é espaçoso e , por mais lotado que esteja, a circulação do público pelos arredores do clube foi bem tranqüila.

Na área externa, pelo fato de ser um pouco afastado da cidade, o trânsito não foi intenso e , além dos estacionamentos pagos (cerca de 20 reais), havia espaço de sobra na rua para deixar o carro com devida segurança.

Equipe Brasileira

Em todas entrevistas e treinos, era possível ver a vontade de vencer de nossos atletas. O foco era evidente em cada jogador e a união da equipe também ficou clara com o passar dos dias.


Na coletiva da noite de Sexta-Feira, após a épica vitória de Bellucci, o capitão João Zwetsch defendeu João “Feijão” Souza da fraca atuação diante de Santiago Giraldo. “
Minha equipe é sempre nota 10. Se um jogador nosso entra na quadra, dá o máximo mas sai derrotado, não tem problema. A derrota faz parte do jogo. Se a equipe perde, quem comete o erro sou eu. Eu que decido quem joga, portanto, se alguém tem de ser criticado em derrotas, esse alguém sou eu”, afirmou o capitão.


Feijão, em sua hora de falar, disse que não entrou à vontade e apenas queria deixar claro que deu seu máximo e que não jogou contra qualquer um. “Giraldo vem em uma grande ascensão neste ano, está entre os 60 melhores do mundo e tem jogado os melhores torneios “, disse o número 2 do Brasil.

A liderança de Bruno Soares entre os jogadores é bastante clara. Mesmo fora da quadra, o experiente tenista de 30 anos vibra, aconselha e nas entrevistas transmite toda a segurança que o time e torcida precisam.

Confrontos

A responsabilidade de Thomaz Bellucci era enorme. Era do conhecimento de todos que , para garantir a vaga na repescagem do grupo Mundial, se fazia necessário as duas vitórias de simples do número 1 do Brasil. E ele não decepcionou.

Com uma arena lotada em plena Sexta-Feira Santa, Bellucci virou uma partida que aparentemente perdida. Dois sets a baixo e sem confiança, nada parecia dar certo para o paulista de Tietê. No entanto, é nessa parte que entra o fator Copa Davis. A torcida Rio Pretense não parou um minuto sequer e trouxe o brasileiro de volta à partida. Aqui cabe um parênteses: na noite de Sábado, Marcelo Melo escreveu no twitter “Melhor torcida de Copa Davis que vi até hoje.” Simples assim. Bellucci reagiu de forma espetacular para virar e vencer, pela primeira vez, uma partida em que perdia por dois sets a zero. Na entrevista coletiva, Thomaz disse que sempre acreditou na vitória. “Jamais pensei que fosse sair derrotado. A todo momento, sabia que iria virar a partida. Comecei um pouco nervoso, errando bolas que não costumo errar, mas, aos poucos, fui me encontrando e passei a incomodá-lo bastante”, afirmou o tenista canhoto. Ponto essencial para o Brasil no primeiro dia de confronto, visto que Feijão havia perdido o 1º duelo para Giraldo.

Para colocar o Brasil em vantagem, veio o show de Bruno Soares na partida de duplas. Junto com Marcelo Melo, Soares fez a torcida enlouquecer com jogadas espetaculares, irritando tanto os colombianos a ponto de surgir o hit da Copa Davis: “Ah, que isso, elas estão descontroladas”. Em sets diretos, a dupla brasileira colocou o Brasil na frente e a uma vitória de garantir a vaga.

Antes de falar sobre a partida decisiva de Bellucci, cabe mais um parênteses: no Sábado, tive a oportunidade de entrevistá-lo bem rapidinho e perguntei sobre seu estado físico após o longo jogo da noite anterior. O brasileiro, bem descontraído, disse que estava se recuperando muito bem e não estava preocupado com isso. Disse que o vídeo-game ajudava a ficar descansando no hotel. Outro fato importante: era visível o tão confiante estava Thomaz em uma vitória sobre Santiago Giraldo. Confesso que , após este breve bate-papo, tive a certeza do triunfo brasileiro.


Na tarde de Domingo, a empolgação da torcida contagiou o número 1 brasileiro, que apresentou um nível de tênis digno de jogador do top 30, e atropelou o perigoso Santiago Giraldo. Em uma das melhores atuações pela Copa Davis, não deu chances ao adversário e deixou todo mundo com aquele já conhecido pensamento “ah, se o Bellucci jogasse sempre assim...”.

Com o confronto já resolvido, Feijão entrou em quadra para cumprir tabela e conquistou sua primeira vitória em Copa Davis diante de Roberto Farah.

Opinião

A Copa Davis é sensacional. Diferente de todos os torneios de tênis, a emoção transmitida é singular e , para os atletas, ter a torcida apoiando e cantando durante toda a partida é espetacular.

Um fator preocupante para a equipe é a falta de um número 2 que transmita segurança. Feijão e Rogerinho duelam por este posto mas nenhum dos dois tem tênis de alto nível para representar o país no Grupo Mundial. A dependência de Thomaz Bellucci é enorme. Neste confronto contra a Colômbia, todos já sabíamos que alguma derrota do número 1 brasileiro seria um desastre e colocaria o Brasil perto da derrota. Ricardo Mello já não tem muito interesse em jogar a competição, visto que já está em final de carreira. Portanto, até Setembro, data dos jogos da repescagem, o cenário não deve mudar muito, com Feijão de numero 2.

Ainda bem que a fase dos nossos duplistas é excelente. Bruno Soares e Marcelo Melo mostraram que ainda estão muito entrosados e confiantes. Além de Soares e Melo, há o também mineiro André Sá que vive um excelente momento e é bastante experiente quando o assunto é Copa Davis.

Com a vaga assegurada para os playoffs do Grupo Mundial, só nos resta torcer para um bom sorteio. O adversário do Brasil será conhecido nesta Quarta-Feira, 11/04, em sorteio feito pela ITF. Para decidir em território brasileiro, os possíveis rivais terão de ser Suíça, Itália ou Rússia, tendo de decidir fora com Alemanha, Suécia e Canadá. Há a possibilidade também de enfrentar Cazaquistão ou Israel e , neste caso, o mando será definido em sorteio.

O Brasil está pela oitava vez consecutiva na disputa por uma vaga no Grupo Mundial. Ano passado, contra a Rússia, escapou por muito pouco. Com um pouco de sorte na escolha do adversário e com Thomaz Bellucci e a dupla brilhando como neste final de semana, as chances de voltar à elite do tênis são boas.


Foto: Marcelo Ruschel/Poa Press/ Divulgação